Refletindo sobre isso percebo que os julgamentos e pré conceitos estão presentes também quando pensamos sobre nós mesmos. Nunca tive vontade de andar de skate, até porque sempre tiver certeza que era tombo certo e imediato.
No entanto passeando na Lagoa de bicicleta, minha amiga resolveu tentar andar no skate de nosso amigo que tinha levado dois. Vendo-a tentar me animei a me arriscar também e voalá consegui e até levo mais jeito do que imaginava para a coisa. Adorei!!!

Na realidade sou uma destas pessoas que nunca teve o dom para os esportes, sempre era uma das últimas a serem escolhidas na formação dos times de escola e era bem conformada com a minha posição rsrsrs Mas fui a goleira menos vazada no futebol em uma das olimpíadas escolares. Vai saber como...
Em minha viagem de férias em fevereiro deste ano (a melhor de todas as que já tive), estávamos em uma cidadezinha linda da França, Chamonix (Vallée de Mont Blanc) que é um dos destinos de férias dos franceses e fomos conhecer uma estação de ski (Stacion Le Tour).
Chegando lá meu namorado e os amigos que estavam conosco nem quiseram tentar. E eu, é claro, queria muito, mais que tudo, esquiar. Na verdade odeio sentir que eu sou a única que nunca fez aquilo ou que não vai fazer alguma coisa. Por isso, aluguei o equipamento e fui toda feliz tentar.
Me deparei então com aquele monte de neve e aquela aparelhagem nada familiar e quando percebi que o negócio deslizava e não tinha freio fiquei com medo!! Então meu amado teve que ficar me segurando de um lado para o outro até que eu ganhasse confiança.
Aquelas pessoas passavam por mim deslizando como se fosse algo quase natural, tipo andar e eu lá me sentindo como se estivesse andando na corda bamba. Mas eu não poderia deixar de tentar e o aluguel era só por 30 minutos (Essas coisas são bem caras afinal...).
Quando vi a turma infantil formar uma linha diante do professor para tomar lições de esqui fui para perto deles escutar as instruções para ver se conseguia. Se aquelas miniaturas de gente que de tão pequenos já me assustava a ideia de ver andando, estavam ali enfrentando o desafio e eu não poderia fazer o papelão de não conseguir.

Foi assim que dei as primeiras deslizadas e aprendi a me equilibrar. Consegui descer umas rampinhas (ai que medo de cair!) e então tomei gosto pela coisa. Claro que frear não é uma coisa simples então adaptei e criei o meu próprio freio: se jogar no chão! O único detalhe é que uma vez no chão, levantar é um desafio ainda maior com aquelas coisas compridas nos pés e totalmente sem apoio. Então eu dependia da bondade dos esportistas que me viam naquela situação vergonhosa e me estendiam a mão para me ajudar a levantar. Depois vi que dava para fazer isso sozinha, desde que eu tirasse o esqui dos pés, levantasse e depois colocasse novamente parei de depender das ajudas. Não riam de mim! Vida de iniciante não é nada fácil!
Consegui curtir por uns 15 a 20 minutos a sensação de esquiar, suei, morri de calor, mesmo com toda aquela neve e com o frio congelante que fazia na cidade, mas posso dizer a vocês que eu já esquiei! Quem sabe numa próxima vez não me arrisco a sair da pista das crianças e subir o teleférico para ver o desafio que se apresenta lá em cima?
Voar é uma sensação indescritível e que eu amo. Até mesmo no avião fico deslumbrada com o fato de estar no território de Zeus flutuando e cruzando nuvens e tendo a ousadia de desafiar a gravidade e todas as consequências que ela pode trazer neste planeta.
Em novembro do ano passado estivemos em Bonito-MS (recomendo a todos!) e entre os passeios imperdíveis, um para mim era o mais necessário: o Abismo Anhumas, com uma descida vertical de 72 metros de rapel. O preço não é tão amigável, custa 400 e pouco por pessoa, mas é uma passeio de dia inteiro diferente de tudo o que você já fez (a não ser que você seja espeleógo ou tenha atuado em algum filme do Indiana Jones). Claro que comprei sem falar o preço pro meu namorado, senão ele iria barrar a aquisição de imediato. Pois bem... depois de comprado até contei pra ele o preço e lá fomos nós.
No dia anterior, depois de uma chegada de madrugada a Bonito, com o direito a 3 horas de estrada do aeroporto de Campo Grande (capital do estado) até nossa pousada e com o atropelamento de um tamanduá no meio do caminho, acordamos cedo, fizemos 2 passeios cansativos e quando chegamos na pousada loucos para tomar um banho e deitar, fomos avisados que tínhamos que ir na sede da agência de turismo para o treinamento do abismo.
Seguimos para lá e chegando descobrimos que após ouvir as instruções, era necessário subir e descer uma corda de 5 metros de altura 2 vezes para treinar o rapel e para verem se éramos capazes de participar da atividade no dia seguinte. Eu ali mal tinha forças para andar, que dirá para subir a maldita corda. Achei que seria imediatamente desabilitada, mas consegui.
No dia seguinte acordamos cedo e fomos rumo ao abismo. Recebemos as instruções, esperamos os demais descerem e então chegou a nossa vez. Ali no meio de uma mata tinha um buraco pequeno que mais parecia um poço e que cabia 2 pessoas lado a lado e foi por ele que descemos (foto abaixo). Corda abaixo fomos descendo ao lado de uma paredão até que de repente o paredão se abriu e lá embaixo avistamos o abismo. Minha barriga contraiu todos os músculos e apertou os órgãos, dando aquela sensação de pavor momentâneo. O que eu estava fazendo ali?
Depois de 72 metros de descida na corda e uns 15 minutos, na verdade não sei precisar o quanto demorou, chegamos aliviados lá embaixo e tocamos solo firme, ou quase isso. A sensação foi maravilhosa, parecia um filme daqueles com cavernas misteriosas que guardam segredos milenares a serem desvendados. Ouvimos histórias, passeamos de bote, flutuamos naquela água gélida, descobrimos formas inusitadas nas formações geológicas, esperamos umas 2 horas até os outros subirem (em especial uma dupla de meninas mega ultra lerdas que não tinham passado no teste do dia anterior, mas após um daqueles pitis conseguiram o direito a ir) e chegou a nossa vez.
Tínhamos observado várias duplas subindo e era muito simples. Só empurrar com a perna e esticar o braço e ir repetindo o movimento. Fácil? Talvez... Fácil de fazer? NÃO! Subimos parando milhares de vezes, pelo que pareceram horas. Eu olhava para cima e estava muito longe, olhava para baixo e também estava longe. Que cansaço e até vontade de desistir, mas lá não existe essa opção porque não tem elevador ou algum dispositivo automático para nos puxar. Conseguimos chegar de volta ao topo uns 25 minutos depois. Nosso tempo foi o tempo médio das duplas, obviamente sem considerar as duas lerdas pitizentas.
Pra não dizer que sou A corajosa, confesso a vocês que quando fui ao Beto Carrero, no início de 2012, convencida pelo meu namorado entrei naquela maldita Big Tower. Sentei no banquinho, escutei o cleck do carinha abaixando o ferro de proteção e então começou a subir, subir, subir... Vejam que eu estava inocente e corajosamente sorrindo na subida...
Lá no alto o brinquedo parou e por lá ficou durante tempo suficiente para o sádico operador do brinquedo ter a certeza de que tínhamos noção da altura em que nos encontrávamos (100 metros de queda livre) e então depois de um outro cleck aquela porcaria despencou como se nos levasse para a morte certa.
Que sensação terrível, em especial porque a impressão que temos é de que estamos soltos e portanto em queda livre. Fechei os olhos, contraí cada músculo de meu corpo e esperei a tortura acabar. Quando terminou aquela experiência pavorosa, saí com a certeza de nunca mais irei em algo parecido. O medo foi tanto que acho que saí de meu corpo e pedi para alguma criatura ocupar o espaço durante aqueles segundos eternos e assustadores, porque olhando a foto depois, tenho a certeza de que não era eu habitando aquele corpo! CREDO! Esse eu não recomendo para ninguém!!!

Bem... por enquanto é só, mas deixo aqui a minha dica para vocês:
NÃO SE LIMITE! ARRISQUE-SE! TENTE!
Neste mundo de possibilidades, só fica entediado quem tem preguiça de buscar as novidades, falta de coragem de se desafiar e indisposição para superar os seus limites.
SURPREENDA-SE! Quando você prova a você mesmo que é capaz, ninguém e nada tira de você esta certeza.
E vocês? Qual o esporte mais radical que fizeram?
Alguma sugestão para minha próxima aventura?




